sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A tio Isaac




Sempre acreditei que tudo acontece no seu tempo
Não seria diferente com meu querido padrinho
Que com seu jeito manso, ao sabor do vento
Nos deixou em seu ritmo suave, bem devagarinho

Das minhas memórias de infância sempre guardei
Um homem que conseguia ser tanto, sem esforço
Uma presença forte e discreta, com aquele olhar de moço
Sem dúvidas, foi um presente dos céus, o segundo pai que ganhei

Sempre muito elegante, gentil e refinado 
Mesmo em meio àquela seresta noite adentro
Fiel à boemia de primeira linha, afinado
Com mil histórias repetidas no torpor, sem lamentos

Confesso que não vai ser fácil, nem consigo imaginar
Como vou chegar a Fortaleza na volta do mar
E o seu semblante tranqüilo e amigo não encontrar
Vem aquele vazio, bate uma saudade de matar

Quando uma pessoa tão amada e querida parte
Ela vai bem, vai leve, livre de sofrimento
E quem, como você, fez desta vida uma arte
Na próxima etapa estarás livre de tormentos

Fica aqui não o adeus, mas o “até logo”
De uma sobrinha-afilhada-admiradora
Com muito amor, carinho e uma “saudadona”
... Ainda nos veremos nesses caminhos tortos.

Carolina Coe

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Divine love


I see you through the eternity, your eyes sparkling 

like stars in a night without moon... 

Shining in my world...





Carolina Coe

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Changes...


O estável azul do dia e o eterno breu da noite sempre precedem o 
colorido alvorecer e entardecer das mudanças...


Carolina Coe
Foto: Francisco Diniz

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Contidas palavras




Natal, 16 de maio de 2010

Tristeza de quem perdido anda
Vazio que permeia passos dispersos
Fingindo alegria no samba
Buscando conforto em parceiros diversos

Dono de lindo, mas melancólico olhar
Que por vezes, pensa conseguir enganar
Não olhe mais a fundo, ele vai fugir
Ver sua alma de perto ele não vai permitir

Será que tem medo ou desamor?
Talvez um coração se esquivando
Procurando, sem saber o quê, buscando
Causando em uns e outros certo dissabor

As doces palavras inquietas, reclusas
Fecham-se em mim, contidas
Só encontrando em seu destino recusas
Sem achar em seu fado uma acolhida

Sem êxito tento brecar o afeto, ser racional
Mas livre de rédeas e orgulho, teimo em insistir
Acabando por acreditar em algo irreal
Sentimento bom, que me faz mal por não poder fluir

Sem saber o porquê, a ti escrevo meus desvarios
Por não saber me conter, por falhar ao tentar esquecer
Por odiar o fato de não me livrar deste sentimento nada sutil
Negando conselhos e avisos sensatos sem esmorecer

Ficam aqui versos incompletos, inacabados
Abarcando do que sinto uma pequenina parte
Deixando as outras partes partidas
E eu aqui com elas, buscando nas palavras alguma saída.


Carolina Coe

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Esta tarde

Eu adoro uma música chamada "Alfonsina y el mar" cantada pela Mercedes Sosa. Por curiosidade fui procurar saber quem era Alfonsina e me deparei com belíssimos poemas. Segue um deles aí abaixo =)


ESTA TARDE

Ahora quiero amar algo lejano...
Algún hombre divino
Que sea como un ave por lo dulce,
Que haya habido mujeres infinitas
Y sepa de otras tierras, y florezca
La palabra en sus labios, perfumada:
Suerte de selva virgen bajo el viento...

Y quiero amarlo ahora. Está la tarde
Blanda y tranquila como espeso musgo,
Tiembla mi boca y mis dedos finos,
Se deshacen mis trenzas poco a poco.

Siento un vago rumor... Toda la tierra
Está cantando dulcemente... Lejos
Los bosques se han cargado de corolas,
Desbordan los arroyos de sus cauces
Y las aguas se filtran en la tierra
Así como mis ojos en los ojos
Que estoy sonañdo embelesada...

Pero
Ya está bajando el sol de los montes,
Las aves se acurrucan en sus nidos,
La tarde ha de morir y él está lejos...
Lejos como este sol que para nunca
Se marcha y me abandona, con las manos
Hundidas en las trenzas, con la boca
Húmeda y temblorosa, con el alma
Sutilizada, ardida en la esperanza
De este amor infinito que me vuelve
Dulce y hermosa...

Alfonsina Storni

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Voa de mim...

Me inspiro em ti
Mas não 'eres' tu
Figura difusa no tempo
Perdida em mim

Minhas presas lágrimas
Meus vazios ouvidos
Já não são mais preenchidos
Pela palavra tua

Que agrados queria?
Que forma se desfaz?
Louca, descontrolada
Presa dentro de si

Te deixo todos os dias
Por que não te vais?
Voa da alma minha
Outra precisa de ti

Eu não, eu só preciso de mim
Mas quando vejo
Já me perdi
E nem sei pra onde fui

Quisera de pronto saber
Tudo o que devo aprender
E parar de vez com essa mania feia
De sofrer...

Carolina Coe

domingo, 9 de outubro de 2011

O eterno agora


Quanto perdi por não estar aqui
No momento em que voei
Distante, longe fiquei
Deixei passar a minha vida, e nem vi.

O belo sol nascendo de dentro do mar
Tentando me ensinar o que eu não via
Adormecida em um passado de luar
Nem minha própria voz eu ouvia.

Quisera viver presente cada momento
Do passado
E enxergar com lucidez
De repente, cada ser iluminado.

O tempo passa, mas não passa
Os segundos, minutos e horas se vão
Nós aqui ficamos atracados
Nessa dimensão sem tempo chamada eternidade.

O eterno agora nunca se vai...
Carolina Coe

Foto do nosso fotógrafo Francisco Diniz... Para perceber um jardim dentro de uma flor tem que se estar muito atento, muito presente =)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Me entendes?


Tenho gravado em meu corpo tua doce maneira de amar
Tenho em minha alma a marca que o olhar teu me fez

Eternizada pelo teu sorriso

Sepulcrada pelas racionais palavras doloridas...

Para só então renascer, tão mais elevado e puro...

Me entendes?

Carolina Coe

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Melodia Sentimental

Não canso de ver essa interpretação de Melodia Sentimental... linda e emocionante! E por isso compartilho aqui com vocês. Deleitem-se com a bela e melancólica música (de Heitor Villa-Lobos) e poesia (de Dora Vasconcellos)...


Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar

As asas da noite que surgem
E correm o espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar

Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor

Acorda, vem olhar a lua
Que dorme na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar...





video

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ao vento...

Palavras de amor jogadas ao vento...

Se as retenho, me enveneno

Ao vento, podem alegrar outro coração


Jogo ao vento, minhas palavras de amor...

Quem sabe nessas voltas que o vento dá

Outros caminhos possa encontrar...


E em paz observo onde vão essas palavras... em vão...


Carolina Coe

Fotos: Francisco Diniz

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Triste flor, serena flor

A angústia que bate
Por ter as mãos atadas
Em meio ao vendaval
Não poder fazer nada...

Triste flor da madrugada minha,
Não dormes tu, não durmo eu
Meu doce sono chacoalhado
Pelo desespero teu

Não te deixo, como deixaria?
Como largar uma parte minha
?
Por ti não me desintegro
Amo teu pedaço de mim como ao universo

Eu sei e sinto
Tudo vejo em minha empatia
Desenfreada.

Eu amo e não minto
Com essa minha alma aberta
Sem pensar em nada.

Estou aqui e estou em ti
Em paz, como um sereno lago
Te abençôo e te bendigo, "mon ami"
Te amo com a alma, enfim...

Carolina Coe

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Inquieta...

Eu ando meio "zumbi" desde que voltei pra casa, mas depois de 3 semanas finalmente começo a despertar para algumas coisas. O despertar surgiu da necessidade de conseguir um emprego e a inquietação veio da conclusão de que eu não quero fazer qualquer coisa.Link
Desde pequena tenho alguma coisa que grita dentro de mim e me diz que preciso fazer alguma coisa pra ajudar a mudar esse mundo. Tá, parece ridículo e por esse motivo poucas vezes compartilhei esse sentimento. Mas ao longo da minha curta existência sempre pensei no que poderia ser realizado de maneira eficiente para tal propósito. Todos concordam que a educação é o remédio para o mundo, certo? Mas saber matemática, química e física não faz de ninguém uma pessoa melhor. Quantas pessoas mau-caráter existem por aí com diploma de pós-doutorado?

A educação que falta (além da acadêmica) é a formadora de caráter, e isso deve vir de casa, e se possível, de algum sistema educacional muito desenvolvido, como alguns poucos que já começam a surgir (Waldorf, www.Cosmikids.org).

A minha idéia para mudar o mundo é formar pais e educadores sobre como educar e treinar essas novas crianças (não sei se todos já repararam que essas duas últimas gerações são diferentes) a partir de conceitos metafísicos e espirituais.

Essa idéia de trabalhar, comer e dormir não me atrai nem um pouco. Nunca consegui me encaixar no "padrão" e nem quero.

Sei exatamente o que quero, só preciso agora encontrar um caminho para chegar lá, e eu sei que ele se abrirá a qualquer momento, por mais disfarçadas que pareçam as portas. Se alguém puder e quiser me ajudar a encontrá-las, eu agradeço :)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A Brisa do Mar Azul de Creta


Hoje estávamos em Creta. Ao chegar no trabalho me deu uma vontade desesperada de ir lá fora, na popa do navio, tomar um sol. E lá estava aquele mar azul e cristalino da Grécia, esperando para me inspirar. Na mesma hora vieram as palavras que seguem:


Firme e suave esta brisa que vem do mar
Que acariciando-me o rosto me faz lembrar

Dos deuses criados neste cenário cretense

Alimentando ainda mais minha inquieta mente

A paz se faz, os pensamentos se vão

O espírito livrando-se de toda essa inquietude
E no vazio buscando de volta a conexão
Ah, se me fosse ativada todo dia essa virtude


O vento esfarela meu corpo em partículas levando-o consigo

Na água me dissolvo, sendo minhas moléculas as que unem os continentes

No fogo queimo, mas não ardo, minha alma incandescente
A terra me faz sentir presente, e tal qual uma árvore, me sinto enraizada

Tudo está conectado


Não se perca, não se separe do universo
Não existe “ele”, “você” ou “eu”, senão uma coisa só

Para sentir não tente entender, apenas abra o coração
Estava certo quem falou que somos pó
Partículas ao vento em uma só consciência

Ah, os deuses de Creta...

Carolina Coe


PS: A foto é das ruína do tempo de Zeus, em Atenas, já que fotos de Creta não tenho ainda.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Musicalizando

Ao passo que caminha um povo
Com cada baque de pés no chão
Juntando as batidas de um e outro coração
Nasce a cada instante um ritmo novo

Eis uma nova e mirabolante teoria
Sobre como e por que se criam
Diferentes sons, batidas e melodias
Misturando-se o silencio da noite e o barulho do dia

Me parece que em cada nação
Até mesmo o ritmo da respiração
Determina a harmonia da canção

Segue então contínuo o som
Seja forte, grave, agudo
Estridente, aveludado
De alto ou baixo tino

Ele é fiel ao refletir aos bons de ouvido
De um povo as histórias, indignações, necessidades,
Humores, ambições e até sua libido
Com a maior espontaneidade

E aí surgem as canções, árias,
Harmonias, composições, cantigas,
Que vestem as gentes como indumentárias
E nos faz parecer compassados como formigas.

Carolina Coe

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Viajar? Para viajar basta existir...




“ Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.

Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.

“Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo”. Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o princípio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras. Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações?

A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.”


Fernando Pessoa

domingo, 8 de maio de 2011

FELIZ DIA DAS MÃES!!!!!!!!!!!

Bom dia!!
Minha homenagem ao dia das mães no ano passado.
Hoje é dia de saudades!
Feliz dia das mães à todas as mulheres !



Não pode existir no mundo
Palavra de 3 letras
Que possa expressar no fundo
Com mais verdade e clareza

Dos amores, o mais puro
Das vidas, as mais dedicadas
Abdicação plena sem um só furo
Paciência e calma de almas delicadas

Nasce do instinto, necessidade
Um elo gigante cresce
Ultrapassa distâncias, vidas, cidades
Passam-se anos, milhas e não padece

De tão grandioso, não cabe em palavras
De tão valoroso, não há ouro que pague
De tão intenso, a comunicação ultrapassa
Guiando com intuição a cria amada

Contraste lingüístico...
Palavra pequenina de 3 letras: mãe
Chega a não caber no coração
De tanto que é seu amor e sua devoção.
Carolina Coe



As mães mais lindas desse mundo. Amo vocês! :)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

E pela lei natural dos encontros...

23 de abril de 2011 (09h – indo pra Ibiza)

Que dia maravilhoso!!! Tinha tudo pra ser um dia normal e cansativo, com uma massagem atrás da outra, mas não é o que me parece! Ao chegar hoje ao SPA senti algo me puxando pra fora e lá fui tomar um pouco de ar fresco. Que dia lindo encontrei! Ao sair me senti abraçada por uma energia fantástica, indescritível. E essa energia está ali o tempo todo, se nos abrirmos a ela. Como tudo nessa vida... é uma questão de escolha!

Bom, acho que agora tenho as baterias recarregadas para esse longo dia, que acaba em Ibiza \o/
Um bom dia a todos!!!!

28 de abril de 2011 (Cagliari - IT)

Começa a temporada européia!
Os 17 dias de férias em Cadiz enquanto o navio estava em “Dry Dock” (manutenção) foram maravilhosos. Descansamos, farreamos (demais), passeamos por Sevilla, Málaga e redondezas, tentamos ir ao Marrocos e entramos numa furada... Enfim, aproveitamos cada minuto. Já ao final do Dry Dock chegou nossa nova gerente.

E então recomeçamos, mas com tudo novo e diferente. A única coisa que não mudou foi o nosso “Quarteto Fantástico” hehe. Mudamos de manager, de cabeleireira, de cabine e o fitness está para mudar também. Mas o mais importante é que começamos com a energia renovada e de cara já ultrapassamos nosso Super Target (temos metas para cada cruzeiro, o ‘super’ é quando ficamos bem além da meta). Posso dizer que a energia aqui no SPA está fluindo mais e está muito mais positiva. Mérito da nossa nova gerente, que está se esforçando bastante para manter isso aqui bem e em ordem (tarefa não muito fácil).

Agora embarcou muita gente nova na tripulação e confesso que ainda não me acostumei e sinto saudades dos queridos amigos da temporada brasileira. Alguns foram de férias e voltaram, outros não. Eu não imaginava que fosse ficar tão feliz ao rever os que estiveram fora por 1 ou 2 meses, como foi quando encontrei, sem esperar, meu amigo Roberto embarcando na gangway.

Alguns se tornam mesmo irmãos. Não sei nem como explicar isso. Mas depois eles vão, nós vamos e assim segue essa vida de marinheiro, bem definida por um verso que diz: “E pela lei natural dos encontros, eu deixo um tanto e recebo um tanto”. E é exatamente assim.
Tenho ido a lugares lindos, e vem muito mais pela frente: Espanha, Itália, França, Malta, Turquia, Hungria, Grécia...

É uma loucura dormir em um país e acordar em outro. Dá até medo de viciar nessa vida.
Seguimos nessa aventura até agosto, e depois... que o plano A ou o plano B pós-contrato se materializem. Vamos ver para onde me leva a vida. Pronta eu já estou! =)
Beijos à família, os amigos queridos... a todos!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Pelos palcos de Cadiz

11 de abril de 2011 (Cadiz)



Estou aqui sentada em uma muralha de no mínimo 600 anos e que protegia essa cidade de sucessivas e violentas invasões, fruto da ganância humana por espaço e poder.
O atlântico prestes a se transformar em Mediterrâneo, numa mistura de verde e azul, como uma pedra que não sabe se é turquesa ou esmeralda, brilha à minha frente. A antiga muralha vai aos poucos se transformando em modernos prédios enquanto as ondas golpeiam suavemente os blocos de rocha maciça, jogadas ali pelo homem temendo a invasão da natureza, como uma criança que coloca uma cadeira atrás da porta temendo o castigo da mãe por ter feito algo errado.

Uma brisa fria envolve meu corpo enquanto tento entender questões tão antigas quanto a própria existência.

Pedidos, desejos e vibrações cruzam esse mar na velocidade de meus pensamentos, alcançando os corações dos que tanto amo, e dos que nem conheço.
Seguirei caminhando em busca de uns raios de sol que amenizem a brisa fria e aqueça minhas palavras.

Agora o cenário é areia, praia e uma passarela que vai dar num castelo. Há uns 100 metros um rapaz toca seu violão, oferecendo seus doces acordes a esse cenário tão lindo. Um navio luxuoso parte ao longe com seus milhares de trabalhadores e turistas. Crianças brincam na areia desfrutando de toda a sua pureza e alegria. Gaivotas sobrevoam a praia em busca do que lhes é vital (ou pelo menos do que elas pensam que é – link com o Fernão Capelo Gaivota do Richard Bach, para quem leu). Duas moças conversam em libras, mostrando que os limites estão na nossa cabeça e a tudo nos adaptamos nesse mundo.


Sentar nessas areias me faz pensar o tanto de historias que já se passou por aqui. Palco de tantas épocas de guerra e paz. E afinal, como dizia Shakespeare, o mundo é um palco, nós somos os atores e podemos atuar da maneira que quisermos. Quem sabe existam vários palcos, vários mundos, e à medida que aprendemos as lições, evoluímos e passamos a um palco melhor e com desafios diferentes, como em um jogo, em que o objetivo final é o desenvolvimento espiritual.

E no final das contas, não importa muito qual foi seu enredo, seu cenário ou como os personagens da sua história interagiram. Importa sim o amor que foi colocado em cada gesto, o que foi aprendido com cada situação, a busca por essa evolução e a conexão (ou reconexão) com a força vital que move tudo... Deus?

Agora eu vou aproveitar e pedir que por um momento vocês “sobrevoem” suas vidas, tirem as cabeças das suas mecânicas rotinas e se perguntem qual o sentido de tudo isso. Há um propósito maior? Estão com os pés na estrada ou só sentados vendo os “forasteiros” passando em busca de seu próprio crescimento espiritual?

Amem... amem muito e indiscriminadamente.

PS: Agora me veio a idéia... seria coincidência dizermos “amém” no final das orações? Não seria uma sugestão para que amem?

Carolina Coe


domingo, 3 de abril de 2011

Solidão...

18 de janeiro de 2011 (RJ)

A companhia é inimiga da poesia
Só minha solidão me trás inspiração
Muitos pensamentos juntos, nenhum foco
Os canais ficam cheios, confusos
Os versos sem rima, o discurso mudo

Sinto falta do meu silêncio amigo
Da minha solidão seletiva e fugaz
Da serenidade que aquela brisa trás
Das batidas das ondas nas costas sem aviso...

Carolina Coe

terça-feira, 29 de março de 2011

Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

(Vinicius de Moraes/1938 - Também do meio do oceano Atlântico)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar!

21 de março de 2011 (porto de Santos)

Fim da temporada brasileira e meio caminho andado no meu contrato. Eu posso dizer que já me vejo bem diferente da menina que entrou aqui há quase 5 meses. Tanta coisa aconteceu em tão pouco tempo... A vida no mar é mesmo intensa. Tem sido uma experiência pessoal muito enriquecedora e diferente de qualquer coisa que se pode viver em terra. Só quem já passou por isso sabe.

Apesar dos “Favela Cruise” que deram muito trabalho e pouco dinheiro, o saldo no geral foi positivo e o aprendizado está sendo enorme. Fora as “aprontadas” que a gente dá aqui, que não são poucas!! História para contar quando voltar não vai faltar!!
Hoje meu sentimento é de gratidão, por cada pessoa que tem passado pela minha vida, as que me fizeram bem ou mal, todas me provocaram sentimentos e me fizeram passar por situações que me fazem ser quem sou hoje.

E agora é manter a mente aberta, flexível e forte para a próxima etapa! A Europa nos aguarda! 10 dias de navegação + 17 dias de manutenção do navio no sul da Espanha até começar a temporada Européia, dia 20 de abril.

E como já dizia o velho Paulinho da Viola “Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar...”

Beijos saudosos!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Let it be, let it go, let it flow!!!!!!


A vida coloca pessoas na nossa vida da mesma maneira que as arranca... Cabe a nós saber deixá-las entrar e depois deixá-las ir como devem...

Let it be, let it go, let it flow :)


10 de março de 2011

Eu te via de longe, sem malícia
Via um sorriso aberto, com um riso largo

Que me espantava todo o gosto amargo

Numa risada alta e forte, que delícia


Te via mais de perto um pouco

E rapidamente mirava em seus olhos um brilho louco

Que me atraia sem razão nenhuma
E me fazia leve feito espuma

E depois te via o tempo todo

Como se o destino te pusesse em minha frente
E eu ainda meio inocente

De cabeça me atirei ao fogo


Comecei a pensar em ti sem saber por quê

E nem me importava querer saber

Que importância teria não te conhecer
E mesmo assim ainda te querer?


Mas só vencida pelo meu torpor

Em madrugada de energia alta
Fisguei nos olhos todo o seu amor

E me entreguei sem mais pensar em nada

Então veio uma sensação diferente
Não sei se isso acontece a toda gente

Mas no fundo dos seus olhos eu via
Um reflexo do olhar meu, noite e dia


Meu amor virou amor tão de repente

Que eu quase pensei ser mentira

E mesmo sem querer a gente sente

E mesmo racional a mente vira


Nas mãos da vida a gente se entregou
Cada um em sua missão, sua estrada

E se um dia a vida lhe deixar

Volte correndo para a sua amada...

Carolina Coe

segunda-feira, 14 de março de 2011

Feliz dia da Poesia!!!! =)

Eu e a Fê nos despedindo de Buenos Aires e desse sol maravilhoso

Um ciclo se completa
Uma porta é fechada
Para que outra seja aberta
Dando início à nova jornada


Carolina Coe

Súplica

02 de dezembro de 2010

SÚPLICA
Quero minhas rimas de volta
Mesmo às custas de um amor platônico
Quero a inspiração a me bater a porta
Mesmo vinda de um desespero atônito

Hoje a sede pela vida não me secou a garganta
O dia cinza inundou, tomou conta
Minha alma desmanchou, perdeu de vista
Sua visão correu, felicidade arisca

Poema sem fim, meio sem sentido
Sentimento indefinido, louco, contido
Espelho claro de mim, sem manchas
Desabafo puro, disfarce de ânsias.
Carolina Coe

domingo, 16 de janeiro de 2011

A poesia sempre fica...

As pessoas passam... Os sentimentos mudam... Mas a poesia não. Esta sempre fica!

Vou postar hoje um poeminha que escrevi há alguns meses e costumava ser secreto. Agora não é mais... e é um dos meus preferidos. Lendo agora parece que foi outra pessoa que escreveu. O legal de estar sempre escrevendo é isso... depois de um tempo a gente pega pra ler e nem nos reconhecemos direito no texto, vez por outra ainda aprendemos com eles... vai entender!

(A verdade é que estou com preguiça de escrever e não quero deixar isso aqui largado às traças hehe!)
Beijos!

Se falo que quero dizer, eu digo.
O pejo que antes me acercava
E me fazia tácita, está perdido
Não reprimo mais o íntimo ruído
Largando-me assim, livre e sem trava.

Que efêmero sabor me deste
Com tão pouco despertaste um tanto
Tão fugaz em seu áureo encanto
Não sei se feitiço fizeste
Que pra esquecer não tem reza nem prece
Que preste.

A ti, que é tão especial para muitos
Em sua lídima graça e gentileza
Com uma alma nobre e delicada
Mas sem faltar um punhado de safadeza
Nesse corpo alvo que detém tanta beleza
(Queria de ti ser uma presa)


Há também um certo mistério
Que tu, recôndito, escondes
Atrás de conversas, acordes,
Abraços dengosos e adeuses
Quem sabe um dia te vejo defronte

Vou assim deixando mais uma impressão
Meio que fugindo da vida real
Escrevendo aqui na maior cara-de-pau
Tendo plena consciência de sua opinião
Não tendo chances de falar, expresso aqui minha paixão
Por você.
Carolina Coe

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Fim de ano!

Depois de algum tempo, aqui estou eu outra vez. Tanta coisa já aconteceu que nem sei o que escrevo nem por onde começo!!!
A vida aqui segue bem o balanço da maré mesmo, os altos e baixos são constantes e tudo é bem intenso.É tão legal dormir num lugar e acordar em outro e ao mesmo tempo as vezes enche o saco! Antes eu achava que era inconstante, agora eu nem sei mais o que eu sou kkkkkkkk!
Os dias mais cansativos são os que o movimento no SPA está fraco... temos que sair pra promover, fazer propaganda... haja perna! Quando a agenda tá cheia é uma beleza, dá nem tempo de pensar em cansaço!!!

Acaba que aqui os nossos amigos viram familia, já que estão todos no mesmo barco, literalmente, longe de casa. Quando a gente menos percebe já estamos
todos tão dependentes uns dos outros e tão carentes que você se vê abraçando uma pessoa com quem nunca conversou como se abraçasse um amigo de infância. É uma onda. No Spa estamos todos um pouco tristes porque o nosso cabelereiro, Fabiano, nos deixou. Infelizmente não deu certo pra ele e dia 30 ele desembarca. Foi a primeira perda do nosso time...

As vezes temos festas só pra tripulação aqui, as vezes vamos pro crew bar ou pra área de passageiros curtir os shows dos músicos (precisa nem dizer que eu já sou fã de carteirinha, né? Onde tem música lá estou eu atrás, como sempre kkkkkkkk).

O Natal foi uma beleza! Tivemos um jantar um pouco melhorzinho, meu gerente nos deixou sair mais cedo, nos super arrumamos, fizemos amigo secreto no SPA e fomos pra área de passageiros,
mas logo descemos para o velho crew bar (bar da tripulação), onde todos já estavam ficando loucos. Eu juro que se vi 2 pessoas sóbrias nessa noite foi muito.'
Acho que era pra esquecer a saudade de casa... o bar fechou, descemos pra o lugar que fazemos as refeições, fizemos festa nas cabines... e a farra foi até as 5, quando subimos pra ver as estrelas,
pra acordar no outro dia as 9. Precisa nem dizer como foi o dia 25, né? Bom, pelo menos fizeram feijoada pra gente!!! Pense numa felicidade!!!!!!!!

Tivemos nosso primeiro overnight no Rio e fomos todos para as ruas da Lapa. O ano novo foi fantástico. Ver os fogos de Copacana do navio foi uma das coisas mais
lindas que já vi. Emocionante mesmo...e a festa depois? É melhor nem comentar!!!!!!! kkkkkkkkkkkkkk
2010 foi um ano de planos, MUITAS mudanças e aprendizado... Que 2011 venha com um pouco mais de resolutividade e paz!

E aqui a vida tá assim, umas semanas atrás demos uma personalizada na cabine, eu e minha colega de quarto, a Fernanda, que é um amor de pessoa!! Que bom que
ganhei uma companheira que entende minhas viagens e ainda compartilha delas!! Não podia ter sido melhor! :)

E eu não sei mais o que escrever. Estou aqui há 2 meses, mas parece que tem 1 ano já. O aprendizado é enorme e eu peço todo dia pra ter força e paciência
pra aproveitar ao máximo as situações. No geral, está tudo muito bem, a fase de adaptação já passou e agora é preciso foco para fazer mais 7 meses! Quando acabar a temporada brasileira fica
mais fácil, certeza hehehe.

Um beijo enorme a todos os amigos queridos. A saudade tá grande já, depois de 3 meses longe de casa, mas eu não desisto!!! =D